Construção de uma cidade moderna: narrativas sobre a construção da modernidade local - Praça Brasil e seu entorno

       A composição da Praça Brasil ocupa um espaço amplo no centro da Vila Operária de Volta Redonda, vindo a ser a maior praça da cidade. O Monumento da Praça Brasil é uma homenagem ao Presidente Getúlio Vargas, considerado, em todas as entrevistas realizadas em nossa pesquisa, como o mais significativo da história de Volta Redonda. Segundo Costa - historiador local -, sua elaboração mobilizou inúmeros atores sociais para que o seu planejamento chegasse ao estágio de realização.
       Em 1° de maio de 1953, Dia do Trabalho, quando de sua visita a Volta Redonda, então distrito de Barra Mansa, Getúlio Vargas autografou o projeto apresentado pela Comissão Pró-Monumento Presidente Vargas em uma solenidade ocorrida no Sindicato dos Metalúrgicos.
       A comissão encarregada de executar os encaminhamentos em relação a execução do busto era composta, na sua maioria, por atores sociais que, no contexto histórico vigente, lideravam a dinâmica das relações sociais na nova cidade, que ora se transformava numa cidade industrial : o Presidente de Honra, Gal. Sylvio Raulino de Oliveira (Presidente da CSN), Dr. João Chiesse Filho (Prefeito de Barra Mansa e Presidente do PTB municipal, partido do Presidente) e Walter Muller da Silva (Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos). A Comissão Executiva registrou também as presenças de Oscar Arthur de Melo Morais, seu presidente; Othon Reis Fernandes, vice-presidente (dirigente sindical, na época, funcionário da CSN); Sebastião José Alves da Silva, Tesoureiro; César Cândido Lemos, Secretário Geral( liderança emancipacionista); Maurílio Barbosa de Souza, Primeiro Secretário; Geraldo Labarca, 2° secretário e Carlito Neto Coutinho (Procurador Geral).
       Para sindicalista, ativista na década de 50 e 60, presente à inauguração da pedra fundamental do monumento, o Sr. Oscar de Mello Morais era: “uma figura folclórica em VR, que era chamado de tenente Mello Moraes. Era um velho, magro, alto e elegantíssimo e que adorava andar a cavalo. Ele trabalhava no setor de patrimônio da CSN numa função secundária. Ele fora do grupo dos tenentes rebeldes que acabara apoiando Getúlio em 30. Só que se desligou do exército, mas ficou na reserva. Mas como ele tinha um passado, tinha um charme maravilhoso e era um getulista empedernido, ele criou uma comissão pró-monumento em homenagem ao criador de VR, que resultou naquele monumento da Praça Brasil. Criou essa comissão, presidiu essa comissão...”
       Segundo vários depoimentos, prestados a esta pesquisa, a Comissão mobilizou diversos segmentos representativos da população local, tais como: a empresa, que financiou todas as obras do monumento, o Sindicato dos Metalúrgicos, a maçonaria que já vinha organizando as elites locais na participação do movimento emancipacionista do então distrito Santo Antonio de Volta Redonda e representações políticas município de Barra Mansa, ao qual o distrito era subordinado. A constituição da Comissão se concretizou como um ritual simbólico. “Então foi constituída essa comissão e foi feita uma ata, várias pessoas assinaram. Uma ata feita em pergaminho. O pergaminho foi tratado para ser conservado devidamente, colocado num tubo galvanizado e foi guardado no local onde Getúlio, que não conheceu o próprio monumento, lançou como pedra fundamental”.
       A idéia de construção do monumento recebeu apoio integral do então diretor-técnico da CSN, o general Edmundo de Macedo Soares e Silva. O local primitivo estabelecido para a construção do monumento seria os fundos do Escritório Central da CSN, sendo a alteração para a Praça Brasil determinada pelo General, pois para a consecução do seu objetivo simbólico junto à população era necessário que o monumento tivesse visibilidade...
       “Só que o monumento não estava previsto para a praça Brasil. A pedra fundamental era ao lado da passagem superior, dentro da usina. Depois chegaram à conclusão que atrapalharia a expansão da usina e, segundo, seria um monumento que pouca gente veria a não ser os próprios trabalhadores. Turistas, dificilmente, o veriam. Então, resolveram transferi-lo para a Praça Brasil...”
       A obra foi iniciada em 2 de fevereiro de 1954, sob a coordenação de Hildegardo Leão Velloso, escultor responsável pela execução do projeto e profissional indicado pela Comissão Promotora. Quem posou para que o artista modelasse a figura do presidente foi um empresário de Volta Redonda, Aristides de Souza Moreira, muitas vezes confundido nas ruas como sendo Getúlio Vargas. Tinha ele o mesmo corpo, a mesma fisionomia e, de alguma forma, quase a mesma maneira de falar do presidente da República. Antigo servidor da CSN, chegou a Volta Redonda como muitos outros empresários locais para “vencer”, em 1941.
       O monumento foi inaugurado em 27 de janeiro de 1957 com a presença de Juscelino Kubitschek, então Presidente da República. Discursou, como representante dos segmentos locais, o Ten. Oscar Mello de Morais - Presidente da Comissão Pró-construção do Monumento, a seguir se colocaram as falas do representante do Legislativo de Barra Mansa, o Vereador Lúcio de Andrade, de uma menina de nome Lindalva, do Vice-Governador do estado do Rio de Janeiro, Roberto Silveira, e do deputado Josué de Castro. Por último, encerrando a fase de discursos fez o seu pronunciamento o Presidente da República. As placas de inauguração registram a data de 24 de janeiro de 1957.
       O processo construído na cidade em relação ao monumento, da organização da Comissão à sua inauguração, articula os diversos agentes constituidores da identidade da cidade do aço, no seu fazer histórico e simbólico, principalmente o período que vai do início da construção da cidade até a década de 60. O Monumento da Praça Brasil, foi apontado pela população envolvida nesse processo como o mais significativo da história de Volta Redonda.

 

O Monumento a Getúlio Vargas na Praça Brasil
 

       Poucos sabem por que e como foi planejado o Monumento ao Presidente Getúlio Vargas, erguido na Praça Brasil, em Volta Redonda. Inúmeras pessoas foram movimentadas para que o planejamento chegasse ao seu final. O denominado Monumento Presidente Vargas, sempre representou uma velha aspiração dos trabalhadores da usina que, já em 03 de fevereiro de 1951, cuidavam de recolocar o retrato do Presidente,
 
na Estação da Estrada de Ferro Central do Brasil. Em 1º de maio de 1953, Dia do Trabalho, quando de sua visita a Volta Redonda, então distrito de Barra Mansa, Getúlio Vargas autografou o projeto do escultor Leonardo Lima, apresentado pela Comissão Pró-Monumento Presidente Vargas, em uma solenidade atendida no Sindicato dos Metalúrgicos, onde se ouviu o pronunciamento do Presidente da Comissão, Sr. Oscar Arthur de Mello Morais, o conhecido Ten. Mello Morais.
       Na ocasião, a Comissão promotora, estava assim constituída: Presidente de Honra - Gal. Sylvio Raulino de Oliveira, Presidente da CSN; Dr. João Chiesse Filho, Prefeito de Barra Mansa e Walter Muller da Silva, Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos. A Comissão Executiva registrava as presenças de: Oscar Arthur de Mello Morais, Presidente; Othon Reis Fernandes, Vice-Presidente; Sebastião José Alves da Silva, Tesoureiro; César Cândido Lemos, Secretário Geral; Maurílio Barbosa de Souza, 1º Secretário; Geraldo Labarca, 2º Secretário e Carlito Neto Coutinho - Procurador Geral.
       A idéia da construção do monumento recebeu apoio integral do Gal. Edmundo de Macedo Soares e Silva, tendo o projeto original sido, inclusive, alterado, já que Getúlio Vargas sugeriu a estátua sentada e não de pé, como foi realizado. Cabe, ainda, ressaltar que o local primitivo estabelecido para a construção do monumento, seria nos fundos do Escritório Central da CSN,
 
sendo a alteração para a Praça Brasil, determinada pelo Gal. Edmundo de Macedo Soares e Silva. A obra foi iniciada em 02 de fevereiro de 1954 com informação de que estava sendo atendido um “Projeto de Execução” de H. Leão Velloso. O monumento foi inaugurado em 27 de janeiro de 1957, com a presença do Presidente da República Juscelino Kubitscheck, ocasião em que usou da palavra o Ten. Oscar Arthur de Mello Morais, Presidente da Comissão Pró-Construção do Monumento, seguindo-se os pronunciamentos do Vereador Lúcio Andrade, a menina Lindalva, o Vice-Governador do Estado do Rio de Janeiro, Roberto Silveira e o Deputado Josué de Castro, encerrando-se com o discurso do Presidente da República Juscelino Kubitscheck. As placas de inauguração registram data de 24 de janeiro de 1957. Quem posou para que o artista modelasse a figura do Presidente? O próprio Presidente? Não. O trabalho seria de todo impossível se houvesse a exigência para que o Presidente da República tivesse de assim proceder. Surgiu, então, a figura de um empresário da Cidade do Aço, muitas vezes confundido nas ruas como sendo Getúlio Vargas. O mesmo corpo, a mesma fisionomia e, até de alguma forma, quase que a mesma maneira de falar - Aristides de Souza Moreira, antigo servidor da Companhia Siderúrgica Nacional que, em 1941, chegou para vencer em uma região onde existia espaço para quem desejava trabalhar. Casado com Dona Dulce Sobreira Moreira, comandava a A/S
 
Moreira e Cia. Ltda. tendo residido na Rua 46 e na Rua 27 nº 28, na Vila Operária.
       Foi o Ten. Adauto, o responsável pela escolha de Aristides para posar em lugar de Getúlio, tendo trazido a Volta Redonda os artistas que desenvolveram o projeto. Tal era a semelhança de Aristides de Souza Moreira com Getúlio Vargas, que em uma das visitas do Presidente a Volta Redonda, foi o mesmo apresentado com seu irmão, tendo sido fotografado e a foto ficado em poder da Sra. Maria dos Anjos, seguidora de Getúlio e já falecida. Para os jovens que hoje residem em Volta Redonda, torna-se necessário unir a figura de Aristides Moreira e alguém que aqui reside e aqui desenvolve suas atividades, como empresário e como homem do povo. Ninguém melhor que Altamir de Souza Moreira que na ORMEC honra e engrandece as suas tradições, defendendo o progresso de Volta Redonda, filho do homem que serviu de modelo para que fosse feita a estátua de Getúlio Vargas, na Praça Brasil.

 
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