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SELEÇÃO DE INDICADORES PARA A PROGRAMAÇÃO E AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO DO HOSPITAL Dr. MUNIR RAFFUL.

  • Introdução

        A adequada utilização de recursos no intuito de atingir os objetivos propostos deve ser motivo de preocupação constante de todos os gestores envolvidos com o planejamento dos serviços de saúde. Para programar e avaliar os serviços, é fundamental definir e estabelecer normas e mecanismos, assim como selecionar critérios, que permitam a análise dos benefícios alcançados e dos custos das atividades, com o propósito não só de otimizar estes recursos, mas, fundamentalmente, buscar a melhoria da qualidade das ações desenvolvidas.
        Segundo CAMEL, a programação em saúde pode ser definida como o processo, mediante o qual; distribui-se recursos com base nas necessidades e riscos da população, objetivando atingir o melhor nível de saúde possível, portanto, a programação dos Serviços de Saúde consiste no momento do planejamento cuja ênfase de trabalho privilegia a destinação de recursos para cumprir determinados objetivos pré-estabelecidos.
        A avaliação da qualidade da assistência só é possível através de um sólido sistema de informações, que seja capaz de traduzir conceitos e dados gerais em indicadores. No caso da assistência hospitalar, os indicadores são importantes marcadores que, compondo o sistema de informações do Hospital, permitam o estabelecimento de padrões desejáveis, assim como o gerenciamento da qualidade.
        Um indicador deve apresentar características básicas ou seja são atributos necessários: validade, sensibilidade especificidade, simplicidade, objetividade e baixo custo. Eles são importantes ferramentas para auxiliar o gerenciamento da qualidade.
Os indicadores medem aspectos qualitativos e/ou quantitativos relativos ao meio ambiente, à estrutura, aos processos e aos resultados.
        Para uma programação adequada, é preciso selecionar indicadores (na gestão pela qualidade total também chamados de itens de controle) que levem em consideração elementos relacionados a:

  • Estrutura: indicadores relacionados aos recursos necessários para realizar determinada atividade, como a parte física da instituição, os seus funcionários (humanas), instrumentais, equipamentos, móveis e aspectos relacionados à organização, entre outros: tecnológicos e financeiros;
  • Processo: vinculam-se à adequação a padrões técnicos, neste caso, os indicadores de eleição são os relacionados com a utilização feita dos serviços de saúde (cobertura, concentração de ações, rendimento e custos das ações realizadas). São as atividades de cuidados realizadas para um paciente, frequentemente ligadas a um resultado, assim como atividades ligadas à infra-estrutura para prover meios para atividades fins como ambulatório, emergência, serviços complementares de diagnóstico e terapêutica e internação clínico cirúrgico para atingirem suas metas. São técnicas operacionais;
  • Resultados: indicadores relacionados ao produto final da assistência prestada, considerando a qualidade dos serviços (oportunidade, continuidade, precisão técnica, acessibilidade) e sua eficácia (recuperação, satisfação do usuário, incidência de casos novos, prevalência, mortalidade geral e específica). São demonstrações dos efeitos conseqüentes da combinação de fatores do meio ambiente, estrutura e processos acontecidos ao paciente depois que algo é feito (ou não) a ele, ou efeitos de operações técnicas e administrativas entre as áreas e subáreas de uma instituição.

        Indicadores para eventos sentinelas – um instrumento que mede o quanto é sério, indesejável e frequentemente o quanto pode ser evitável um resultado nos cuidados prestados ao paciente: revisão de casos individuais dirigida para cada ocorrência.

        Montagem de Indicadores

  • A montagem de indicadores obedece uma seqüência lógica de acordo com os nove itens seguintes:
  • Nome do indicador (ou item de controle)
  • Fórmula (maneira de expressão, dependendo do tipo)
  • Tipo (taxa, coeficiente, índice, percentual, número absoluto, fato)
  • Fonte de informação (local de onde será extraída a informação)
  • Método (retrospectivo, prospectivo, transversal)
  • Amostra
  • Responsável (pela elaboração)
  • Frequência (número de vezes que será medido em determinado período)
  • Objetivo/meta (motivo, valor, tempo, prazo do item que se quer medir).

        É importante conhecer o(s) cliente(s) a quem o mesmo se destina, interno ou externo, quais as necessidades (qualidade intrínseca, custo, atendimento, moral, segurança, outras), para a elaboração de indicadores com os atributos citados acima.
        As intituíções hospitalares são complexas, face a inúmeras peculiaridades inerentes aos programas, serviços, influências externas, internas e condições de trabalho, geralmente em emergência/urgência ou mesmo da ansiedade e pressão, por parte de pacientes, familiares e profissionais.
        Com intuito de obter uma avaliação ampla do HMR, foram selecionados alguns indicadores estratégicos, considerando os três elementos descritos acima.

1.Indicadores de Estrutura:

        Inúmeros são os indicadores da parte estrutural das unidades de saúde e que têm importância na avaliação das mesmas, principalmente quando da utilização do marcador balanceado, propiciando uma visão global da sua participação no mercado.
1.1.Relação funcionário/leito
1.2.Capacidade planejada (leitos e camas)
1.3.Capacidade operacional (leitos e camas)
1.4.Capacidade ociosa
1.5.Número de consultórios
1.6.Número de salas cirúrgicas
1.7.Consultas/consultório/dia
1.8.Cirurgias/sala cirúrgica/dia
           
        Indicadores que medem a produção são importantes como perspectiva dos negócios internos, na utilização do marcador balanceado. Entre eles, utilizaremos os seguintes indicadores de produção;
            1.9. Número de atendimentos
            1.10.Número de internações nas clínicas
            1.11.Média de pacientes dia nas clinicas – Mpd
            1.12.Número de cirurgias
            1.13.Lista de espera e tempo de espera

        Quanto à perspectiva financeira, pode-se trabalhar com indicadores econômico-financeiros propriamente ditos e com alguns indicadores de economia da saúde. Entre eles, utilizaremos os seguintes indicadores econômicos-financeiros:
            de atividade:
            1.14.Rotação de estoques
            1.15.Período de estocagem

            outros:
            1.16.Relação custo-faturamento

  • Conceituação: expressa a relação entre o custo direto das atividades e o valor pago pelo SUS pelas atividades realizadas.
  • Método de cálculo: custo direto das unidades assistenciais sobre o valor do faturamento em determinado período de tempo.
  • Unidades a serem avaliadas: hospital como um todo ou setores pré-determinados
  • Justificativa: permite avaliar a partir da relação entre os custos diretos e o faturamento SUS, o déficit ou superávit gerado pelos setor ou atividade. É um excelente instrumento de negociação do gestor com seus coordenadores.

2.Indicadores de Processo:
            de produção:
            2.1.Taxa de ocupação hospitalar – TOH
Partindo-se da produção, podemos agregar uma série de indicadores de produtividade, que também se fazem imprescindíveis na perspectiva dos negócios internos. Entre eles, utilizaremos os seguintes indicadores de produtividade;
            2.2.Tempo médio de permanência – Mpe nas clínicas
2.3.Índice de renovação ou giro de rotatividade nas clínicas

3.Indicadores de Resultados:
            de qualidade:
            3.1.Taxa de infecção hospitalar – TIH
            3.2.Taxa de mortalidade institucional – TMI
3.3.Taxa de mortalidade geral – TMG
3.4.Taxa de cirurgias suspensas
de imagem do hospital:
3.5.Satisfação do paciente
3.6.Satisfação do funcionário
3.7.Satisfação do corpo clínico

Finalmente, a perspectiva da inovação e do aprendizado, em que é fundamental conhecer aspectos relativos aos recursos humanos. Entre estes indicadores de recursos humanos temos:

Taxa de absenteísmo

  • Conceituação: expressa o percentual do número de horas faltantes por período de tempo no hospital, podendo ser avaliado por setor, categoria profissional ou de forma global.
  • Método de cálculo: número de horas faltantes sobre os números líquidos de horas disponíveis x 100 num determinado período
  • Unidades a serem avaliadas: hospital como um todo
  • Justificativa: avalia múltiplos aspectos da relação de trabalho, incluindo: grau de responsabilização, satisfação do funcionário, capacidade de controle e pactuação institucional.

Índice de Rotatividade
Número de cursos/treinamentos realizados
Horas de treinamento/funcionário/ano
Número e categoria profissional pelas diversas subáreas/áreas

 

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Empresa de Processamento de Dados de Volta Redonda
Departamento de Desenvolvimento de Sistema