Plano Municipal de Habitação prevê investimentos até 2021
Previsão é de investimentos de R$ 301 milhões para a construção
de 16 mil unidades habitacionais, além de reformas
O Plano Municipal Local de Habitação de Interesse Social, lançado pela
Prefeitura Municipal de Volta Redonda em junho de 2010, prevê
investimentos de até R$ 301 milhões até 2021, na área de habitação
popular. Este montante corresponde à construção de 16.630 unidades
habitacionais - para atendimento a quem ganha até três salários
mínimos, prioridade do plano - incluindo ainda obras de melhorias das
casas populares em núcleos de posse urbanizados. Cerca de 4.674
unidades em núcleos de posse devem receber melhorias nos próximos 11
anos.
As informações estão no relatório do Plano Municipal Local de
Habitação de Interesse Social, realizado a partir de um levantamento
feito durante quatro meses no município junto com a sociedade civil,
após análise e levantamento de dados coletados pelo Furban (Fundo Comunitário), Cohab-VR (Companhia de Habitação de Volta Redonda),
cadastro do Bolsa Família da Secretaria Municipal de Ação Comunitária
(Smac), e informações do Censo 2001 do IBGE (Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística) e da Fundação João Pinheiro, que trabalha
para o Ministério das Cidades, do Governo Federal.
Das onze reuniões realizadas pela comissão coordenadora do Plano
Habitacional, cinco tiveram a participação de um fórum da sociedade
civil e do Governo Municipal para definir as metas a serem alcançadas.
Pacto Social - O coordenador do Plano Local de Habitação de Interesse
Social é o arquiteto José Roberto Gomes, do IPPU (Instituto de
Pesquisa e Planejamento Urbano), que integra a equipe técnica e de
mobilização da prefeitura com mais dois arquitetos, Alexandre Carneiro
e Rafael Cabral. O plano foi aprovado pelas leis municipais 4.521/2008
e 4.696 de 23/06/2010. “Toda cidade brasileira que deseja receber
recursos habitacionais do Governo Federal tem que ter o plano, o Fundo
Municipal de Habitação e o Conselho Gestor em funcionamento, que reúne
oito membros do poder público municipal e da sociedade civil, todos já
criados e nomeados por lei municipal”, explicou Gomes.
De acordo com o coordenador, a meta habitacional é a melhoria das
unidades habitacionais dos núcleos de posse do município e a
construção de novas unidades em pequenos conjuntos habitacionais,
conforme disponibilidades das áreas, para atender a quem ganha até
três salários mínimos. “As fontes de origem dos recursos de
financiamento são o Fundo Nacional de Habitação do Governo Federal,
depósitos do FGTS, e recursos do Orçamento Municipal, com um total
previsto de R$ 301.781 milhões. O objetivo social é atender quem ganha
até três salários mínimos, a população ribeirinha, e quem mora em áreas de risco”, enfatizou Gomes.
Ele acrescentou que a opção pela construção de pequenos conjuntos
habitacionais atende à atual política nacional de habitação, que
condena a ocupação de áreas por conjuntos habitacionais grandes e fora
da área urbana, aumentando os problemas e as dificuldades para os
moradores isolados e distantes do centro. “Um conjunto habitacional
como o Santa Cruz, feito e ligado ao antigo BNH, com 2,5 mil unidades,
traz um impacto muito grande para administrar, porque as pessoas que
vão morar no conjunto precisam de escolas, saúde, empregos. Essa
infraestrutura necessária não pode ser criada de um dia para outro, e
geralmente não tem como ser atendida de imediato. Isto gera um
conjunto de problemas para resolver”, apontou.
Direito de compra – Outra situação colocada por ele é a dificuldade de áreas disponíveis em Volta Redonda para a construção dos conjuntos
habitacionais. Mas Gomes destacou que o Plano Diretor do Município,
aprovado em 2006, tem um instrumento importante para a aquisição
dessas áreas, evitando a especulação imobiliária. “As áreas que
interessam ao poder público podem ser declaradas áreas de preempção,
que é o direito de preferência do município para a compra dessas
áreas. Nós temos uma dificuldade muito grande de área disponível para
a habitação devido à topografia. A zona norte da cidade é muito rural
e montanhosa. Só temos algumas áreas utilizáveis na zona sul da
cidade”, frisou.
Para evitar a especulação imobiliária, as áreas são declaradas de
interesse social do município para a habitação somente após
comprovadas a capacidade para receber o investimento público. Isto
evita, de acordo com Gomes, expectativas para a especulação
imobiliária, porque os proprietários terão que dar preferência de
compra ao poder público, por um preço de mercado pré-determinado. Os
terrenos não poderão ter o valor aumentado após a declaração da área
disponível como área de preempção.
Etapas cumpridas – De acordo com a comissão, o Plano Habitacional
Local passou por três etapas, seguindo a metodologia definida pelo
Ministério das Cidades, com a parceria da Caixa Econômica Federal para
a sua execução. A primeira etapa foi a proposta da metodologia para
fazer o Plano de Habitação de Interesse Social; a garantia do fórum
social com a participação de 18 entidades representando a sociedade
civil, como a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil); CSN; Sinduscon
(Sindicato das Empresas da Construção Civil e Mobiliário); Crea-RJ
(Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura); Fam (Federação de
Associação de Moradores); MEP (Movimento Ética na Política); AEVR(Associação dos Engenheiros); e UniFOA (Centro Universitário de
Volta Redonda). Estes fazem parte do conselho gestor, com voz e voto
no fórum do pacto social. Não existem suplentes no fórum.
A segunda etapa foi fazer o diagnóstico, identificando as necessidades
habitacionais em Volta Redonda para os próximos 11 anos, priorizando o
que precisa ser feito nos núcleos de posse, e a construção das novas
unidades até 2021. No entanto, novas atualizações ou revisões do Plano
Habitacional Local estão programadas para os anos de 2014 e 2018. A
terceira parte do documento trata do Plano de Ação, ou seja, como o
município vai fazer para atender às demandas habitacionais nas áreas
populares, buscando as fontes de recursos públicos. Mas ainda é
preciso criar um instrumento fundamental para a sua execução. Um fato
de fácil solução na visão do arquiteto José Gomes.
“O município não tem ainda um instrumento para administrar esse plano,
que faça a sua gerência. O Plano de Ação baseia-se em quatro aspectos
importantes: a produção e aquisição da habitação; a integração e melhoria dos assentamentos nos núcleos de posse; a assistência
técnica; e o desenvolvimento institucional para a estruturação da PMVR
em implementar e acompanhar o Plano de Ação. Mas nós temos
profissionais suficientes e preparados na Cohab e no Furban. Não será
preciso criar uma nova empresa pública para gerenciar o plano, basta
adequar aos profissionais que já temos para realizar este trabalho. E
com uma estrutura bem leve e ágil, nós teremos esse mecanismo de
gerenciamento dos recursos em funcionamento”, enfatizou o coordenador.
Gomes destacou que a fiscalização da aplicação dos recursos será
feita anualmente junto ao Governo Federal, através do Ministério das
Cidades, além das fiscalizações rotineiras e permanentes a que estarão
sujeitos os administradores da gestão dos recursos públicos para a
habitação. No último Censo, feito em 2009 do IBGE, Volta Redonda tinha
261.403 moradores. Mas, nas projeções do IPPU, atualmente a cidade
conta com 264.331 moradores. Recentemente, o prefeito Antonio
Francisco Neto assinou os decretos 11.725 - que institui o Fórum da
Sociedade Civil para acompanhar e discutir as etapas do Plano Local de
Habitação – e 11.767 que nomeia os membros deste fórum representativo
(Volta Redonda Em Destaque, edição 940).
Os membros do Fórum da Sociedade são Edmilson Azevedo da Silva e
Elisangela Gabriela Ferreira (Furban); Sérgio Luiz Taranto Reis
(UniFOA); Maria de Fátima Martins Passos, Julio Gil da Cunha, Camilo
de Lélis Campos Percegueiro (Fam); Rogério Pinto Valente (AEVR –
Associação dos Engenheiros de Volta Redonda); Maria Carmem Santos
(OAB-VR); Lourdes Janine Solino Muniz (CSN); Luiz Eduardo de Lima
Ferreira (MEP); Hélio Antonio Alves, Anicrécia Teixeira da Silva
Franco e Maria Terezinha de Jesus da Costa (movimentos sociais); Mauro
Campos Pereira (Sinduscon); e Dejair Martins (Sindicato dos
Trabalhadores na Indústria de Construção Civil).
AF/ACS
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